Docente da ESCS leva literacia mediática ao Conselho da Europa

No passado dia 9 de abril, o Conselho da Europa organizou, em Estrasburgo, um Encontro Informal do Comité de Ministros dedicado ao tema “Freedom of Expression and Democratic Resilience” (“Liberdade de Expressão e Resiliência Democrática”), contando com intervenções de seis especialistas de diversos países europeus.

Uma das oradoras convidadas foi Fernanda Bonacho, docente na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL), investigadora do LIACOM e titular da Cátedra UNESCO Comunicação, Literacia Mediática e Cidadania, que participou no primeiro painel, “Protecting journalism in a contested information environment” (“Proteger o jornalismo num ecossistema informativo contestado”). 

Na sua intervenção, Fernanda Bonacho, também coordenadora do Mestrado em Jornalismo da ESCS, falou sobre a relação entre literacia mediática, desinformação, democracia e direitos humanos. Na perspetiva da responsável pela Cátedra UNESCO da ESCS, a literacia mediática deve “ser entendida não como um complemento educativo, mas como uma salvaguarda fundamental para a democracia”.  

Esta é também a orientação do documento “National Media and Information Literacy (MIL) Strategies: Practical Steps and Indicators”, publicado pelo pelo Steering Committee for Media and Information Society, do Conselho da Europa, e para o qual Fernanda Bonacho também contribuiu no ano passado. 

Tendo em conta que a desinformação opera de forma transnacional e que a “vulnerabilidade democrática é cognitiva e sistémica”, as iniciativas de literacia mediática não devem ser fragmentadas e devem assentar em conhecimento científico. Os países devem, por isso, criar políticas públicas integradas de literacia mediática, seguindo uma estratégia estruturada e que acompanhe os cidadãos ao longa da vida. 

Outra das ideias sublinhadas durante a apresentação foi a noção de que a literacia mediática é responsabilidade de atores sociais de várias áreas (plataformas digitais, reguladores, academia, órgãos de comunicação social, governantes, etc.). Além disso, a literacia mediática não se deve centrar exclusivamente na aquisição de competências, mas também na defesa da liberdade de expressão e na proteção dos direitos humanos.  

Os restantes oradores fizeram intervenções sobre a necessidade urgente de proteger os jornalistas no exercício da sua profissão, a manipulação da informação no contexto europeu, o papel do jornalismo para a manutenção da confiança nas instituições públicas e o impacto da inteligência artificial na integridade da informação. 

No final, os embaixadores dos Estados-membros representados no encontro tiveram a oportunidade de fazer perguntas aos oradores. 

A sessão foi organizada pela Moldávia, que detém atualmente a presidência rotativa do Comité de Ministros do Conselho da Europa.