Ler com Olhos e Ouvidos: EntreLinhas junta cinema, leitura e memória
A 9.ª sessão do Clube de Leitura EntreLinhas, realizada no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, foi dedicada ao documentário A Leitora, um filme que nos convida a refletir sobre a leitura enquanto prática relacional e construída ao longo da vida.
A sessão, com o tema “Ler com Olhos e Ouvidos”, começou com a exibição do filme no Auditório Vítor Macieira da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL), sendo seguida de uma conversa que contou com a presença de Maria da Encarnação Silva, protagonista do documentário, e de três elementos da equipa do projeto e docentes da ESCS – Joana Souza, Joana Pontes e Ricardo Pereira Rodrigues.
Desafiados a pensar numa imagem que representasse a sua relação com a leitura, os convidados partilharam escolhas muito diversas. Maria da Encarnação Silva descreveu a leitura como uma “entidade plural”, propondo três imagens: a leitura associada à afetividade, ilustrada por uma criança ao colo de um adulto, ambos a olhar para um livro; a leitura como acesso ao conhecimento e ao poder simbólico, representada por uma grande chave que abre a porta de um castelo; e a leitura literária, simbolizada na imagem de uma ponte, capaz de ligar tempos, povos e experiências, abrindo caminho à empatia.
Já Ricardo Pereira Rodrigues, professor de Audiovisual e Multimédia, evocou pessoas concretas que marcaram o seu percurso enquanto leitor – professoras, bibliotecárias, mediadores de leitura e os próprios filhos –, reforçando a ideia de que os livros funcionam como marcadores das ligações entre as pessoas. Joana Pontes, Joana Pontes, realizadora e professora de Narrativas e Guião para Jornalismo, destacou o silêncio, o espaço e a presença como condições para a leitura, partilhando memórias familiares e o “maravilhamento” associado à descoberta de que já sabia ler.
Ao longo da conversa, Joana Souza, coordenadora do projeto que deu origem ao documentário, sintetizou uma ideia transversal ao encontro: as imagens associadas às histórias são frequentemente relacionais. Esta dimensão esteve também no centro da discussão sobre o papel do audiovisual na promoção da leitura. Joana Pontes sublinhou que nos documentários, por exemplo, é essencial “humanizar os assuntos” e partir das histórias de pessoas para a exploração de temas históricos ou sociais mais amplos. Para Ricardo Pereira Rodrigues, ler não se resume a abrir um livro; envolve concentração, disponibilidade e construção biográfica.
“Uma coisa é decifrar um texto; outra coisa é decifrar e compreender; outra coisa é decifrar, compreender e ser capaz de emitir uma opinião crítica.” – Maria da Encarnação Silva
A sessão terminou com uma discussão aberta com as cerca de 35 pessoas presentes no público, na sua maioria estudantes da ESCS. Um dos alunos partilhou que o filme foi importante para ganhar consciência de que a leitura é um privilégio muitas vezes dado por adquirido. Duas outras alunas aproveitaram para perguntar a Maria da Encarnação Silva, professora aposentada, como é possível despertar o interesse para os livros num mundo marcado pela aceleração. As respostas, sem receitas, sugeriram ideias relativamente simples: com as crianças, basta um livro, um corpo e uma voz; com os mais velhos, às vezes é a partilha das histórias que desperta a curiosidade.
A 9.ª sessão do EntreLinhas reafirmou assim a leitura não apenas como competência, mas como experiência viva, afetiva e profundamente humana.
O Clube de Leitura EntreLinhas é organizado pela Cátedra UNESCO Comunicação, Literacia Mediática e Cidadania (LIACOM/ESCS-IPL).
O documentário A Leitora nasceu do projeto DOC-EDU, da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL) e do LIACOM, em parceria com a Escola Superior de Educação de Lisboa (ESELx), com financiamento do IPL através do programa IDI&CA. São também parceiros deste projeto a Escola Artística António Arroio e a Cátedra UNESCO Comunicação, Literacia Mediática e Cidadania.


