“Palavras que nos acontecem”: Língua portuguesa em encontro intercultural no EntreLinhas

No dia 5 de maio de 2026, o Clube de Leitura EntreLinhas promoveu a sua 10.ª sessão, uma Aula Aberta intercultural dedicada ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, realizada nas Escadas do Infinito da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL).

A sessão, dinamizada numa parceria entre a Cátedra UNESCO Comunicação, Literacia Mediática e Cidadania (LIACOM/ESCS-IPL) e a unidade curricular Communication, Information and Social Media Literacy, reuniu cerca de 25 estudantes de 9 países europeus, num encontro centrado na língua portuguesa como espaço de encontro, diversidade e construção de sentido.

Partindo do tema “Palavras que nos acontecem: Dizer o mundo em português”, os participantes foram convidados a levar uma palavra da língua portuguesa que tivesse um significado especial para si.

As palavras partilhadas e os motivos das escolhas foram muito diversos: “mãe” (pela proximidade com o Dia da Mãe e lembrando a ligação da mãe da aluna aos livros), “mulher” (evocação dos direitos humanos, da igualdade de género e da experiência de participação numa manifestação feminista), “perdido” (experiência vivida na cidade de Lisboa), “pardalinho” (nome carinhoso chamado pelo pai), “amanhecer” (experiência de Erasmus como o começo de algo novo), “cuidado” (no sentido do cuidado interpessoal e humano), entre muitas outras.

Cada participante foi também desafiado a levar uma referência de um livro do seu país que dialogasse, de algum modo, com a palavra escolhida. Entre as obras partilhadas, estiveram Teoria King Kong, escritora francesa Virginie Despentes, associada à palavra “mulher”; Abigél, livro da húngara Magda Szabó, relacionado com a ideia de cuidado; A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, sugerido por uma aluna da Chéquia, que escolheu a palavra “existência”; Os músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm, referido por uma aluna alemã e associado à palavra “amizade”; e o Ensaio sobre a cegueira, do Nobel da Literatura português, José Saramago, sugerido por uma das docentes e dinamizadoras da sessão, que escolheu a palavra “ouvir”.

Ao longo do encontro, foi possível observar como as palavras ajudam a espelhar as experiências que nos marcam e transformam, reforçando o seu papel de aproximar as pessoas através do que é comum – “comunicar”.

A sessão promoveu um ambiente de escuta e partilha, em que a língua portuguesa serviu como ponto de partida para explorar as ligações entre identidade, cultura e literacia.